Resposta direta. Uma boa prova de conceito (POC) de IA generativa no setor público tem cinco pilares: um objetivo mensurável ligado a uma tarefa real; um escopo pequeno e representativo; critérios de sucesso definidos antes de começar; governança de dados e revisão humana desde o primeiro dia; e um prazo definido com decisão explícita ao final (avançar, ajustar ou encerrar). O que a POC não pode ser é uma demonstração sem métrica ou um piloto que vira produção sem decisão. Este roteiro é uma proposta editorial do SEIA11, baseada em prática de avaliação de ferramentas; adapte-o ao seu órgão.
1. Objetivo: uma tarefa, um resultado observável
Escolha uma tarefa concreta e recorrente — por exemplo, preparar o resumo de um processo antes do despacho, ou rascunhar um tipo específico de documento. Formule o objetivo como resultado observável ("reduzir o tempo de preparação do resumo mantendo a qualidade avaliada pela equipe"), não como "testar IA".
2. Escopo: pequeno, representativo e reversível
- Poucas unidades e poucas pessoas, mas com processos típicos (inclusive documentos digitalizados e casos difíceis).
- Ambiente e dados definidos: quais processos, quais tipos de documento, o que fica fora.
- Reversível: nada da POC altera o fluxo oficial sem revisão humana.
3. Critérios de sucesso definidos antes
Meça o que importa para a tarefa escolhida — por exemplo tempo por tarefa (medido, com linha de base), qualidade avaliada por revisores (escala simples e critérios escritos), taxa de correção necessária, adoção voluntária. Registre a linha de base antes de ligar a ferramenta: sem ela, fica difícil atribuir eventual mudança à ferramenta e comparar o resultado com o processo anterior. Não fixe metas emprestadas de outros contextos.
4. Dados e governança desde o dia 1
Se a POC utilizar dados pessoais — o comum em processos reais —, trate-a como operação real de tratamento: finalidade específica e mínimo necessário (LGPD, art. 6º, I e III, acesso em 18 ago. 2026) e medidas de segurança adequadas (art. 46). Se for possível usar dados anonimizados ou sintéticos, melhor. Na prática: quem acessa, o que é enviado a provedores de IA e sob que condições, o que fica armazenado, como excluir ao final. Envolva o encarregado (DPO) e a TI antes, não depois. Use o roteiro de IA no SEI com segurança e LGPD.
5. Revisão humana e registro
Toda saída da IA é sugestão: um servidor revisa antes de qualquer uso oficial, e a inserção depende de ação explícita. Registre eventos (quem usou, quando, para quê) para poder auditar e para alimentar a avaliação.
6. Prazo e decisão
Defina uma janela compatível com a tarefa, o volume da amostra e a disponibilidade dos avaliadores; registre desde o início a data e os critérios da decisão. Ao final, decida com os dados: avançar (com escopo e requisitos claros), ajustar (nova rodada curta) ou encerrar — e documente o porquê. Uma POC encerrada com aprendizado é um bom resultado.
Erros comuns
- Começar sem linha de base.
- Escopo grande demais ("todos os processos do órgão").
- Confundir demonstração comercial com POC.
- Deixar governança de dados para "depois que funcionar".
- Não definir quem decide, quando e com que critérios.
Como o SEIA11 se encaixa em uma POC
O SEIA11 opera como copiloto no SEI, com saídas apresentadas para revisão humana e inserção dependente de ação explícita do usuário, perfis de acesso e registro de eventos — características que ajudam a estruturar uma POC mensurável. Veja o que é um copiloto de IA para o SEI e SEIA11 para órgãos.